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Filmes que tem o nazismo como tema ou pano de fundo não são novidade. Aliás, esse tema é muito recorrente na cinegrafia mundial e mais ainda na americana. O incrível, é que ainda conseguem fazer filme bom sobre isso.
Vi dois seguidos nesse fim de semana.
Trailer
O Homem Bom é um filme americano dirigido por um brasileiro (Vicente Amorim). A estória de um homem que se envolve com o nazismo quase sem perceber (a psicanalise não diria isso rsrs) é bem interessante. Ver a alemanha da época pelo olhar de um personagem que destoa da visão comun que se tem quando pensamos nela naqueles tempos é interessante por si só. Mas tem mais do que isso. Tem uma câmera atenta que passeia pelos meandros da estória, tem um roteiro que, apesar de alguns problermas, deixa os exageros de lado para ir no foco e uma performance de Viggo Mortensen digna de nota. Não é um filme excepcional mas é um filme bom ops. rs
Trailer
O Menino do Pijama Listrado coloca o tema sob o olhar de uma criança. A confusão na cabeça dessa criança, a ingenuidade em conflito com o impensável, o orgulho do pai sendo questionado, o medo, a curiosidade, os pensamentos desconcertantes, a traição, a culpa... um final...melhor não falar sobre ele. Enfim, o filme tem tudo isso e mostra de maneira cuidadosa e com sutilezas que não são muito comuns em estórias desse tipo. A direção (de Mark Herman) e o roteiro (de John Boyne e Mark Herman) merecem aplausos. É um filme que você leva pra casa. Entende? Ele ecoa.
Adoro a brincadeira das listas. Mas não consigo fazer uma que dure mais do que 10 minutos. Estava tentando fazer uma com os melhores filmes do ano pra mim. Fiz varias mas logo mudava e mudava e mudava... Desisti. Mas um filme eu faço questão de deixar registrado aqui. Ele estaria em qualquer lista minha e, não só gostei muito, como também é um filme que eu gostaria de ter feito (pra quem não sabe sou um aspirante a roteirista). Estou falando de Chega de Saudade, dirigido por Laís Bodanzky e com roteiro de Luiz Bolognesi. Belo, delicado, simples... Chega de Saudade é uma pérola. Tenho o dvd e o livro com o roteiro.
Ando ouvindo muito rock latino. Aterciopelados é uma banda bem legal da Colombia que frequenta meu i-pod. Sua vocalista, Andrea Echeverri participou de uma música do Pato Fu que gosto muito. Segue o clipe dessa música:
Ontem vi o show da mexicana Julieta Venegas (já falei dela aqui algumas vezes) no Canecão. Uma delícia. Certamente vou passar o fim de semana cantarolando suas canções.
Segunda feira fui no lançamento do livro de uma amiga. Bendita Palavra é o segundo da Maria. Gosto muito dos dois. São de poemas. Ela recitou alguns na noite em que autografava. Antes de recitar um desses poemas, contou que ele tinha surgido de uma frase que leu no jornal. A matéria falava sobre um menor de idade, que tinha sido preso acusado da morte de um músico famoso. O menor disse para o repórter; "Meu futuro tá atrasado." Foi essa frase, que já nasce como um poema, que deu origem aqueles versos, contou Maria Rezende. Essa frase ecoa, ecoa... e depois deixa um silêncio barulhento.
Esse é o belo poema de Maria:
Meu futuro tá atrasado
e se não fosse o seu filho?
se fosse outro como eu?
Matei porque pude, porque deu
não é um revide, uma vingança
não é para calar o que doeu
É como o mundo é
- como o meu mundo é
ganhar na força o que se quer
sem "por favor" nem "obrigado"
o meu futuro já está muito atrasado
O que eu ia ser não conta mais
não dá mais tempo
tem mil balas encravadas na minha idade
eu sou essa cidade, convulsão e sol na cara
Não adianta nem tentar
quem eu sou já tá firmado
o meu futuro agora é coisa do passado
Estou lendo a autobiografia do André Midani. Na verdade um grande caderno de memórias. Sobre ela falo melhor depois, por agora quero comentar um trecho onde ele fala sobre um período que passou na Suécia, ainda como adolescente.
Ele diz; " Para coroar aquele mundo mágico, quando se perguntava a alguém sobre sua ocupação, a resposta se referia ao hobby não ao trabalho."
Essa frase me lembra uma coisa que sempre me incomodou muito, a idéia de que você é o que faz, no trabalho. Sabe na tv ou até no jornal, quando aparece o nome das pessoas, logo abaixo vem a sua profissão ou o clássico estudante? Pois é, isso é bem ilustrativo. Perguntas do tipo: quem é você (?) ou o que você faz (?) logo recebem como resposta a profissão do interlocutor. Seria maravilhoso se ao contrário da profissão a gente falasse um hobby, o lugar onde moramos, quem são nossos amigos. cada dia uma coisa, cada vez um comentário...
Uma multidão, filas enormes, chuva durante todo o show, hits desfigurados, não teve bis, tive que andar por mais de uma hora para conseguir um taxi... e ainda assim consigo dizer: o show foi ótimo.
Definitivamente não tenho mais idade para shows em estádios. Eu já tinha prometido pra mim mesmo que não ia mais nesse tipo de evento. Mas não resisti e encarei a Madonna no Maracanã. Quase desisiti de última hora. Tentei vender o ingresso mas não apareceu ninguém para comprar. Descolei companhia e fui.
Aquela mulher de 50 anos é uma super performer, uma entertainer de primeira, uma grande artista e está em forma. O show é uma espetáculo. Ainda que não seja sua melhor tour e nem mesmo seu melhor disco, o que se vê e ouve é muito bom.
Não acho que isso seja, uma condição obrigatória para um artista com carreira duradoura ( e olha que muita gente disse que Madonna seria esquecida logo) mas a tia fez uma apresentação calcada em seu novo disco, com poucos hits antigos. No mínimo coragem e algo raro com artistas nessa posição. A arte de Madonna passa necessariamente pela visual e o show capricha nisso. Mesmo sendo um espetáculo para multidões em estádios o show tem detalhes que seriam melhor apreciados se o o público estivesse mais perto. O ponto alto da apresentação foi o hit Like a Prayer quando a platéia delirou e o Maracanã virou uma rave das boas com o novo arranjo do velho sucesso. Mas não faltaram outros grandes momentos. Enfim, ainda bem que eu fui. Mas esse foi o meu último mega show. Eu juro. hahaha
ps: eu não consigo entender porque ninguém na imprensa falou sobre a safadeza dos organizadores terem divulgado que os ingressos tinham acabado (coisa que toda a imprensa falou) e depois apareceram ingressos para todos os setores.
Já faz algum tempo (quase dois anos talvez) fui jurado de um festival de bandas novas e dei as maiores notas para uma chamada Manacá. De maneira geral, achei o grupo bom, com personalidade. Mas devo dizer que parte dessa avaliação passou pela boa impressão que tive da talentosa e bela vocalista Letícia Persiles no palco. Algo de especial tinha ali. Cheguei a falar isso no meu antigo blog. Pois bem, tempos depois soube que a banda tinha sido contratada por uma grande gravadora. Curiosamente até hoje o disco não foi lançado. Estranho. O que não foi estranho foi saber mais adiante que aquela vocalista ia fazer o papel de Capitu numa adaptação da obra de Machado de Assis na TV Globo.
E a adaptação de Dom Casmurro para tv numa versão de Luiz Fernando Carvalho é o assunto desse post. Assisti ontem o primeiro episódio da minisérie Capitu. Vale dizer antes de tudo, que a iniciativa da Globo de investir num projeto desses é louvável e merece aplausos. Vale dizer antes também que Luiz Fernando Carvalho tem no currículo alguns bons trabalhos. O que não é nem um pouco necessário dizer é que a obra de Machado é sensacional. Isso todo mundo já sabe.
Mas vamos a série.
A estética que mistura teatro (as vezes demais) com cinema e tv, além de toques circenses e uma mistura de tempo e espaço nada usuais numa tv aberta, não facilita para o espectador médio e me faz pensar que, pelo menos metade da audiência troucou de canal antes do fim do primeiro bloco.
A voz usada pelo ator Michel Melamed, que faz o papel de Bentinho quando adulto, é equivocada e não é mantida o tempo todo, o que causa mais estranheza. No entanto isso não chega a apagar a sua ótima atuação. O ator que faz o Bentinho quando adolescente, Cesar Cardareiro, tem expressões exageradas mais afinadas com o teatro do que com a tv mas o maior problema acho eu, trata-se de parecer muito novo e muito andrógino para o papel. Capitu, quando adolescente é feita por Letícia Persiles. Ela chama atenção por sua força cênica, olhar e beleza. O resto do elenco esbarra no exagero. Talvez esse exagero tenha a ver com a proposta estética e o incômodo que me causou seja discipado nos próximos episódios mas por hora...
A trilha sonora é ótima e passeia pelo rock e a música erudita. Ficou interessante ver aquelas cenas ao som, por exemplo, de Sex Pistols, Jimi Hendrix e Beirut. Porém achei a trilha muito presente e as vezes irritava um pouco.
Bentinho quando adulto narra a história e ouvir o delicioso texto de Machado de Assis, que parece estar sendo mantido como no original, é um barato. A minisérie mantém o humor com tons melancólicos característicos do autor, não só no texto narrado como também na forma, na montagem, na direção. Um acerto.
Para ser sincero, o saldo do primeiro episódio não me pareceu positivo mas marcou alguns gols e foi o suficiente para me fazer insistir no próximo capítulo.
Achei que o fato fosse isolado e que já tivesse perecido mas agora vejo (ops) na capa de uma revista semanal de grande circulação o tema de volta. Não li a matéria e nem conheço na integra o manifesto do ator Pedro Cardoso (quem iniciou publicamente esse assunto) contra a nudez ou melhor dizendo, contra o abuso da nudez na tv e no cinema atual. No entanto vou dar minha opinião assim mesmo. hehehe
Em tópicos:
Independente se a coisa é no cinema, na tv ou em qualquer outro lugar, o abuso de poder masculino contra a mulher é uma realidade e isso não deve ser ignorado.
A nudez, a meu ver não é artística por si só, porém pode ser parte de uma obra de arte sim. Seja, essa obra um filme, uma foto, uma escultura... ou o próprio nu em algum contexto simbólico.
O uso do corpo da mulher como objeto sexual pode ser ou não incômodo para a mulher. Quem decide é ela. Veja bem, eu disse: quem decide é ELA.
Ainda que isso possa parecer politicamente incorreto, acho que ter o corpo nu admirado e desejado não é uma ofensa. Mesmo que esse desejo passe apenas pelo sexo. Aliás, principalmente se ele passar apenas pelo sexo. Acho que é uma forma de elogio. Não o único elogio que importa, não o único elogio que se possa querer mas é um elogio e é muito bom recebê-lo. Se apenas esse elogio vier que seja um prazer.
O uso do nu na tv ou no cinema pode ser apelativo ou não. De minha parte pouca importância dou a isso. Vejo o filme ou a novela ou a série e se for boa continuo se não for boa não vejo mais. E normalmente, isso pouco tem a ver com o nu. Outras vezes até pode ter a ver. Conheço filmes em que o nu é importante e mesmo sendo usado o resultado é ruim e conheço filmes onde o nu é perfeitamente dispensável e mesmo sendo usado o resultado é muito bom. Não é o nu, o problema. Pelo menos não, na maioria das vezes.
O nu pode ser muito bonito por si só. E ver o belo já é um prazer. Esteja ele onde estiver e da forma que for. Se esse nu foi feito por livre e espontânea vontade, a única coisa que importa para quem esta vendo é se lhe parece belo.
Para mim a discussão que envolve o uso do nu na arte, se ele foi apelativo, se ele não está num contexto artístico, se ele é pornográfico... é chata, vazia e sem importância. Eu nunca uso esse ponto para analisar uma obra de arte.
Pornografia não é arte. Pornografia tem uma função específica. Pode ou não ser divertida. Pode ou não ser bem vinda. Pode ou não ser saudável. A pornografia não é o demo e nem é culpada dos males da sociedade. Aliás, algumas vezes ela é apenas reflexo dela.
O nu não deveria despertar tanto incômodo, tanto discussão.
Ando sem muito o que dizer. Então fico em silêncio e escuto a música. Esse é o Brent Cash. Ouvi algumas músicas dele e gostei muito. Agora estou atrás do disco inteiro, esse que aparece no vídeo.
Posted
10:16 AM
by HENRIQUE CRESPO
Do México Henrique Crespo
Já fazem mais de dois anos que venho falando da mexicana Julieta Venegas. Tanto nesse blog aqui quanto no antigo, Bagunçando o Coreto. Ela faz um pop de cores latinas que é, no mínimo, divertido. Eu disse: no mínimo, sim, porque acho bem mais que isso. Nesse tempo, Venegas chegou a participar de um disco do Lenine e teve Marisa Monte cantando com ela em seu disco Acústico MTV. Acabei de saber que Julieta vai fazer um show no Canecão. Eu não vou perder.
P.S. No início da semana falei aqui no blog sobre um provável plágio cometido pelo filme Entre Lençóis. Pois bem, hoje tem matéria no jornal O Globo sobre isso.
Esse é o Little Joy, banda que reúne o Rodrigo Amarante (Los Hermanos) com Fabrízio Moretti (The Strokes). Eles acabaram de lançar um disco cheio de deliciosas canções como essa aí de cima. Varias dessas músicas são hits absolutos no meu i-pod rsrs
Faz uns 3 anos mais ou menos que assisti um filme chileno, dirigido por Matias Bize, chamado Na Cama, En La Cama no original. Achei muito bom. Como aspirante a roteirista logo pensei que aquele era um filme eu gostaria de ter escrito. Curiosamente não chegou a ser lançado em dvd no Brasil. Pois bem, esse filme passa inteiro dentro do quarto de um motel com apenas um casal que vai parar lá sem ao menos saberem o nome um do outro. Outro dia vi o trailer e li uma matéria sobre o filme Entre Lençóis, dirigido por Gustavo Neto Rosa e com a belíssima Paola de Oliveira no elenco. Epa, as semelhanças são muitas. Dei uma olhada nos créditos e nenhuma citação ao ótimo filme chileno. Estranho. Enfim, ainda não vi Entre Lençóis e é cedo para falar em plágio ou algo do tipo mas...
A platéia excitada, espera pelo show do Sepultura. Eles querem heavy metal. De repente a banda começa e... supresa, cantam uma bossa nova meio caricata. Um locutor diz que um determinado carro pode te surpreender. Essa cena acontece num comercial de carro que está passando bastante na tv. Mesmo sendo engraçada, acho que é uma propaganda muito ruim. Fica parecendo que ao comprar esse carro o consumidor vai ter algo muito diferente do que ele quer.