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Um filme, na grande maioria das vezes, não dura mais do que duas horas. Ficar em silencio por duas horas não é algo tão difícil assim. Principalmente se você está concentrado em algo. Acontece que venho percebendo há algum tempo que barulho no cinema virou uma coisa normal. Pessoas conversando, celulares, entra e sai da sala...
Falta de educação e desrespeito com o outro são coisas que me vem logo a cabeça mas na tentativa de tentar entender esse fenômeno encontro algumas possíveis explicações. Entra elas a atual rapidez das coisas, a necessidade de processar tudo com velocidade. Afinal estamos sempre conectados em vários canais e eles nos entopem de informações e atividades. São as várias páginas na internet abertas ao mesmo tempo, o controle remoto da tv que não para num canal, o msn, o orkut, o myspace... Temos que ser rápidos. Ou seja, ficar por duas horas inteiras sentados numa sala escura vendo um único filme deve ter se tornado uma tarefa complicada.
Outro dia estava lendo que um canal de tv de perfil jovem está apostando as fichas em programas que durem no máximo quinze minutos. Sacou?
Pois bem, ficar aqui resmungando e reclamando que as coisas mudaram para pior é bobagem. Há de ter algum ponto positivo nisso. As coisas mudaram e pronto. Resta-nos a adaptação.
Só fico me perguntando como ficam as coisas que só são apreciadas e saboreadas se dedicarmos a elas tempo. Por exemplo: olhar o mar, não dá para sorver esse prazer sem o tempo de contemplar. Aliás, contemplar vai se tornar um verbo sem sentido. Será que os jovens também fazem sexo com muita rapidez? rsrs Está aí algo que precisa de tempo. Ok, uma rapidinha pode até ter sua graça mas não dá para fazer dela um hábito. Algumas coisas incrivelmente deliciosas só são aproveitadas se dedicarmos tempo a elas.
Enfim, que os novos hábitos e costumes sigam seu rumo mas eu quero silêncio no cinema. Po#*!@!!! Quem não consegue que assista seu filmes em casa. Façam seus downloads.
Posted
12:51 PM
by HENRIQUE CRESPO
um ps antes: Ando preocupado. Estou com a impressão que o impulso por escrever me escapa. Espero que seja apenas uma impressão.
Dois bons filmes
Assisti o indicado ao Oscar, Slumdog. Quem Quer Ser Milionário, título que recebeu aqui no Brasil, é um filme indiano feito por um Escocês (Danny Boyle, o diretor). Não porque foi rodado na Índia mas porque tem quase todos os elementos comuns a um filme de lá. Acontece que é a versão de um europeu.
Um crítico de cinema conhecido aqui do Rio me disse pessoalmente após a sessão (especial as 10:30h da manhã) que não gostou. Ele acha que o filme não se assume como kitsch (uma característica que os críticos dedicam aos filmes indianos com alguma razão) e tem momentos em que fica querendo parecer muito sério. Eu discordei dele. Acho que é o kitsch que um escocês sabe fazer e isso não é ruim. Slumdog é divertido, tem atores carismáticos e varias qualidades técnicas.
É curioso como o roteiro cria situações que acabam "explicando" que a resposta para os nosso problemas pode ser encontrada em nosso passado. É como se o nosso passado trouxesse nele as respostas para o futuro. Não sei se isso é algum provérbio local mas parece. rs
Foi Apenas um Sonho, eu vi ontem. Não li o livro de Richard Yates, no qual o filme foi baseado, mas é possível ver na tela qualidades de uma ótima literatura. Revolutionary Road, título original, é um filme impactante com uma história pequena. Pequena no sentido de ser cotidiana, de ser humana na sua particularidade. Personagens bem construidos e bem interpretados pela dupla Kate Winslet e Leonardo DiCaprio. Diálogos bacanas e sacadas inteligentes de roteiro e direção.
Sam Mendes, o diretor, opta por uma forma quase clássica de filmar e isso é uma escolha acertada. Estamos ali como voyeurs do casal. Como se víssemos e escutássemos um casal vizinho brigando. Uma proposta diferente poderia tirar o foco do que realmente importa.
A trilha com músicas dos anos 50 dá um charme a mais.